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Rata
recebe remédios por
meio de sonda |
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Medicina Alternativa
Homeopatia
se mostra eficaz contra infecção urinária
Alessandra
Pereira
Mesmo não sendo consenso
na medicina, a Homeopatia vem ganhando respaldo científico. Um
estudo experimental, realizado na Faculdade de Medicina de Marília
(SP) e apresentado como dissertação de mestrado na Unifesp,
mostrou que essa terapia considerada alternativa parece combater infecções
urinárias com a mesma eficácia que o tratamento com medicamentos
convencionais. Os resultados foram obtidos em ratas, mas já são
comemorados entre os pesquisadores. |
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“No futuro, os remédios
homeopáticos poderão servir como mais uma opção
de cura para essas doenças”, afirma o nefrologista Nestor
Schor, orientador do trabalho e médico alopata convicto.
As infecções
urinárias atingem a bexiga ou os rins e são o segundo motivo
mais comum de procura por serviço médico. Só perdem
para os problemas respiratórios. Cerca de 50% das mulheres apresentam
esse tipo de infecção pelo menos uma vez na vida.
Para comprovar se a Homeopatia era eficiente, as ratas foram contaminadas
com a bactéria Escherichia coli – presente na flora
intestinal e principal causadora das doenças no aparelho urinário.
Introduzida na bexiga dos animais, a bactéria depois se alojou
nos rins. “Os críticos do tratamento homeopático alegam
que a eficácia está associada ao bom relacionamento entre
médico e paciente e não aos remédios. Por isso, optei
por utilizar ratas”, explica a homeopata e professora de Clínica
Médica da faculdade de Marília, Maria Isabel Gonçalves,
autora da pesquisa.
Ela separou os animais infectados em vários grupos. Em cada conjunto
de cobaias Maria Isabel testou determinado tipo de terapia. Depois, coletou
amostras dos tecidos dos rins e da bexiga e monitorou a proliferação
da bactéria. No grupo de ratas sem nenhum tratamento, o agente
E. coli apareceu em 100% das amostras. A quantidade de bactérias
nos rins e na bexiga de ratas tratadas com antibiótico (levoquinolona)
diminuiu para 33%. Com os três medicamentos homeopáticos,
a média dos resultados foi semelhante: 34%.
Ao utilizar o remédio homeopático feito a partir da urina
contaminada e diluído em água e álcool (nosódio
30 D), Maria Isabel detectou a presença das bactérias em
39% dos tecidos.
A melhor reação, no entanto, ocorreu quando os animais receberam
o que na Homeopatia chama-se de medicamento de fundo ou simillimum,
cujas substâncias produzem no organismo os mesmos efeitos da doença.
Os homeopatas acreditam que, ao provocar reações similares,
essas substâncias teriam poder curativo. A maior redução
foi obtida com o Phosphorus 30 CH. Nesse processo, o elemento fósforo
é diluído em 99 partes de álcool e água e
a operação, repetida 30 vezes. Com essa terapia, apenas
22% das amostras continham E. coli. É importante também
a observação do doente. “As ratas com infecção
urinária estavam lentas, assustadas e sentiam desejo de companhia.
Então procurei um elemento (fósforo) que causasse as mesmas
reações para curá-las”, afirma. Com o Phosphorus
200 CH, também à base de fósforo e diluído
em igual número de partes de álcool e água, mas numa
operação repetida 200 vezes, não foi tão eficiente.
Reduziu o número de amostras contaminadas para 42%.
Respaldo
A pesquisadora
conseguiu mostrar também que a medicina homeopata funciona devido
ao princípio ativo contido nos medicamentos. No grupo que ganhou
apenas álcool, 94%, ou seja, quase todos os tecidos de rins e bexigas
estavam infectados.
“Trabalhos como esse despertam o interesse para o tema e dão
tratamento mais científico às práticas médicas
alternativas”, enfatiza Nestor Schor. Prova disso é o fato
de a pesquisa estar na lista de artigos que deverão ser publicados
este ano na revista britânica British Journal of Homeopathy.
Schor reconhece o mérito, porém faz algumas ressalvas: “A
Homeopatia foi eficiente para combater a infecção urinária,
mas falta ainda entender por que funciona e qual mecanismo é desencadeado
no organismo.” Essas são respostas que os adeptos da Homeopatia
ou da medicina convencional ainda terão de dar.
Preparo
do nosódio, feito a partir da urina infectada pela bactéria
E.
Coli
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