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Mensagens postadas nas listas dos Profissionais Homeopatas sobre a disputa pela AMHB e o Prêmio Sergio Arouca.
[Matheus] Prezado Marcos e colegas médicos homeopatas,
Permita-me esclarecer suas incorreções.
O nosso voto indireto, no presente momento, você sabe que é devido ao Novo
Código Civil. Foi a estratégia utilizada para não tornar inviável a AMHB. Como o
judiciário voltou atrás aqueles que se portaram com responsabilidade e
ofereceram soluções fizeram o papel de otários diante de seus pares que nada
fizeram. Solicito mais uma vez que leia o " Consenso em São Paulo".
O voto continua sendo indireto porque a AMHB, por inteiro, o quis. Quando em
junho 05 o judiciário voltou atrás em relação às AG das sociedades,
imediatamente poderia ter sido convocada AG - AMHB com a finalidade específica
de mudar o Estatuto AG e trazer o voto de volta às "eleições diretas" com
qualquer número, mas isso não foi feito. Como a diretoria AMHB perdera o prazo
regulamentar para convocar eleições isso poderia ter sido feito sem prejuízo das
eleições que poderiam ter sido um pouco mais prorrogadas e acredito que todos
concordariam, uma vez que eleição indireta não é do nosso desejo. É uma
circunstância do momento.
Se você tiver acesso à correspondência de sua federada ficará sabendo que há
mais ou menos 30 dias atrás enviei ao colega Helio solicitação para convocar AG
- AMHB onde um dos itens a serem mudados é exatamente o voltar à eleição direta
para diretoria AMHB. Fi-lo agora porque o prazo estatutário é de 180 dias. Sua
federada poderá informá-lo.
Quanto ao mandar recados não é do meu perfil. Sou claro e explícito, não tenho
medo de falas e nem de julgamentos. Considero os delegados pessoas ativas,
interessadas e inteligentes, eu sentiria vergonha de pedir a eles em quem votar.
Seria um desrespeito à inteligência deles.
Quanto aos demais itens todos eles admitem estratégias diferentes de aplicação,
tudo depende da inteligência e ousadia de seus aplicadores. Novas idéias não
ameaçam, pelo contrário, estimulam, delas também não tenho medo e nada impede
que se faça observações a elas.
Quanto à sua exortação convocatória final remeto-o ao fato de que essa situação
já poderia estar estatutariamente mudada, agora não há mais como lançar culpa
aos outros, é sua também.
Saudações Homeopáticas.
Matheus Marim
[Walcymar] Prezado Dr Matheus
Agradeço os votos e gostaria de fazer algumas ponderações
a respeito de suas colocações. Sobre o argumento da análise
de que o particular não garante a generalização, nenhum
dos candidatos tem no curriculum uma a presidência da AMHB.
Portanto, aplica-se aos dois.
Com relação a sua visão particular que a Política Nacional
para Medicinas Naturais e Práticas complementares é uma parte
uma "especialidade", veja exatamente este ponto como o principal
diferenciador das duas chapas, das duas propostas. O nosso
ponto de vista e a própria proposta da política é tornar
a prática homeopática uma política de Estado, e tem nas
diretrizes a assistência pública ( apenas uma das 5) mas
também os outros campos de atuação: ensino, pesquisa,
educação popular e divulgação.Temos portanto uma visão
desta política muito mais inclusiva e fortalecedora da
Homeopatia no país pois o fará na forma da institucionalização,
com pactuaçào das várias instâncias gestoras (pública e
privadas e do segmento social) como tem se dado mais
recentemente o processo destas políticas no Brasil.
Por último, gostaria de colocar um descontentamento de minha
parte. Se está certo de sua escolha, faça como os demais
colegas: enaltecesse o seu candidato em vez de tentar
desqualificar o opositor. Penso que além de deselegante,
aproxima-se muito do comportamento dos nossos políticos
que tanto nos cansamos de criticar.Tanto eu quanto o Mário
explicitamos por escrito nossas propostas e temos a responsabilidade de executá-las caso sejamos o vencedor,
além do que apenas encabeçamos uma equipe de colegas
igualmente responsáveis pelas mesmas.
A democracia tem espaço para idéias diferentes, desejos
diferentes e dá a chance de sempre haver uma outra escolha.
Que possamos utilizar este espaço tão inclusivo de forma
respeitosa e realmente engrandecedora para a homeopatia. Cordialmente
Walcymar Leonel Estrêla
----- Original Message -----
From: "Matheus Marim" <mmarim@...>
To: <amhb@...>; "Lilian Espindola" <lilian
.espindola@...>;
"Sociedade Médica Homeopática da Bahia" <smhb@...>;
<socearensehomeo@...>; <di.dias@...>;
<amhees@...>; <sbugo@...>; <amho@...>;
<amhms@...>; <amhmg@...>; <alins@...>;
<bkluppel@...>; "Sociedade de Homeopatia de Pernambuco"
<shp@...>; "AMHPR" <amhpr@...>;
<arysouza@...>;
<amherj@...>; <reginakotke@...>; "Sociedade
Gaúcha
de Homeopatia" <sgh-rs@...>; <shgt@...>; "APH"
<aph@...>; <angelicaherminia@...>
Cc: <profissionaishomeopatas@...>;
<CDAMHB@...>
Sent: Friday, October 07, 2005 6:34 PM
Subject: [profissionaishomeopatas] Premio Sergio Arouca
Prezado Hylton: Como uma contribuição às inúmeras respostas cabíveis à sua pergunta
colocada
como PS ao final do texto congratulatório enviado à Walcymar em
5 do
corrente, pergunta essa estruturada de forma a colher respostas
positivas
uma vez que já contém a reflexão na qual a resposta deve se
basear (em
pesquisas de opinião pública encaixar-se-ia entre as perguntas
que induzem
respostas positivas) permita-me fazer algumas considerações que
estimulam a
reflexão no sentido contrário:
Aprendi em cursos destinados ao segmento CEO International que pessoas
exitosas em segmentos específicos quando indicadas para gerenciar
estruturas
mais amplas não conseguem repetir o desempenho obtido em suaárea
específica. Ocorre que ao tentarem aplicar o seu modelo exitoso
específico
para estruturas ampliadas esbarram com novas variáveis que
demandam tempo
longo e por demais precioso para serem metabolizadas pelo que
denominam "as
etapas da metaformação".
Entre os vários exemplos estudados, estão os de renomados
reitores de
grandes universidades americanas e europeias que quando convidados
para
repetir seus desempenhos administrativos nas áreas pública ou
privada
terminaram com pífios resultados, confundiram as organizações e
depois
deles foram necessários longos períodos de reorganização com
novos CEOs.
O caos que a "reengenharia" levou às empresas (reconhecido
posteriormente
inclusive pelo seu criador) esteve baseado nesse mecanismo, onde o
desespero
em implantar o diferente levou às demissões em massa do
período.
O mesmo se observa nas estruturas de governo ao tentarem aproveitar os
exitosos CEOs da indústria privada. Suas idéias, dotadas de
outras
velocidades e formas de operacionalização fazem água diante das
esferas
públicas. Por outro lado os melhores desempenhos obtidos pelo
Ministério do
Planejamento de nosso país foram quando o mesmo esteve em mãos
de
funcionários de carreira formados dentro da administração
pública,
cujo lemaé "devagar e quando der".
Um exemplo clássico do reconhecimento pelo exitoso vem de Henry
Ford,
que só
removia o exitoso do projeto (máster mind) quando o objeto do
trabalho se
encerrava, pois observara que ao retira-lo dali o projeto minguava e
que o
desempenho do criador quando longe do seu projeto era decepcionante.
Completando a resposta à sua pergunta a melhor indicação para
gerenciar a
AMHB está em alguém que não tenha o perfil da esfera
pública uma vez que a
interface que nos confere epresentatividade estão na AMB e no CFM,
entidades em que a maioria dos cargos estão preenchidos por
pessoas que
atuam principalmente na área privada, com alguma extensão
universitária e
raramente pública. Atrevo-me a afirmar isso pois circulo pela AMB
desde o
biênio 1979/80 e percebo que as cabeças do público e do
privado estão em
polos opostos, velocidades distintas, operacionalizações
diferentes,
estratégias desemelhantes. Se estivéssemos na FENAM nos seria
mais
conveniente um executivo da área pública.
O êxito da Comissão de Saúde Pública da AMHB nestes
quinze anos deveu-se à
capacidade de atuação, paciência e visão de seus integrantes
assim como à
liberdade, incentivo e aval que lhe conferiu a AMHB. Liberdade e
incentivo
por compreenderem os seus presidentes os universos distintos em que
circulam
as cabeças dos que atuam no público e no privado quando unidas
pelo ideal
que é a Homeopatia. Nada lhes foi imposto, tudo foi esperado,
continuam
cumprindo sua missão. Aval por ser a AMHB uma instituição
atenta,
responsabilizando-se pelas ações de suas instâncias. Muitas
vezes ouvi na
AMB, CFM e instâncias governamentais de saúde que "já tinham
de quem puxar
as orelhas" quando se referiam à AMHB diante de alguma iniciativa
que
poderia não dar certo, ou então, "protegidos pelo escudo da
AMHB", quando
da necessidade de uma intervenção mais forte. Um bom avalista.
Quanto ao prêmio exterior à instituição confere alto valor e
respeito ao
premiado e quando em uma área específica constitui-se também
em mais uma
recomendação específica.
Resumindo, ao analisar a instituição e o perfil dos dois
candidatos se
estivesse eu atuando como um "head hunter" emitiria o seguinte
parecer:
considero que o Prêmio Sergio Arouca agrega valor à Walcymar,
indica-a com
qualificação para gerenciar a Comissão de Saúde Pública
da AMHB e ser uma
das competentes interlocutoras AMHB com o governo, mas pela sua área
específica não lhe confere aval para conduzir uma
organização cuja
interface
está no privado. Para tanto considero o perfil do colega Mario
Cabral
Ribeiro bem mais adequado.
Saudações homeopáticas.
Matheus Marim
[Hylton Luz] Prezado Mateus,
É uma pena que você não tenha lido nada sobre o Prêmio Sérgio Arouca
antes de fazer sua declaração, do mesmo modo que suas afirmativas indicam
que além de você conhecer os predicados da colega Walcymar, tão pouco se
ocupou de consultar as pessoas da Comissão de Saúde Pública para se informar
acerca dos seus atributos gerenciais e de articulação.
O Prêmio Sérgio Arouca visa exatamente destacar o êxito de
iniciativas gerenciais voltadas para a gestão participativa, isto é, para
modelos de gestão que são mais aptos a incluir a diversidade dos atores
sociais envolvidos nos problemas de saúde. A gestão participativa funciona
pela perspectiva da inclusão, da valorização de todos os pontos de vista
como forma de construir soluções que tendam ser mais equânimes.
Assim, para a gestão participativa é fundamental a construção de
mecanismos que garantam a escuta e a interação com todos os envolvidos nos
processos, aspectos que as gestões da AMHB carecem em mais alto grau, razão
de sua estrutura organizacional que previlegiando a delegação contribuiu
para a completo e progressivo afastamento dos médicos e a exclusão de seus
pontos de vista e interesses de seu foco de atuação.
Não se trata de fazer julgamentos ou cupabilizar ninguém, pois esta
proposta não leva a lugar nenhum, a questão que se aponta é para uma nova
filosofia de gestão, para conceitos e práticas voltadas para a inclusão da
classe e destinadas a ampliar os mecanismos de participação dos colegas.
Neste ponto, não resta dúvida que o seu comprometimento pessoal, bem como o
do colega Mario Cabral com o atual estatuto, deixam como inequívoco o
sentido de oposição e contrariedade com os fundamentos da gestão
participativa e com a criação de mecanismos inclusivos.
Acredito que você possa invocar argumentos, bem como o colega Mario
Cabral, para se auto proclamarem defensores da participação e da
democratização da gestão, mas nada é mais emblemático da visão exclusiva da
classe que o atual estauto que defendem com unhas e dentes. Que agarrem-se
ao lenga lenga do que chamam "Consenso de São Paulo", que é muito prolixo,
mas não explicita que a proposta encaminhada pela Diretoria da AMHB oferecia
outras alternativas, que eram pela filiação direta dos médicos e pela
ampliação dos mecanismos de participação, aspectos que eram tanto capazes de
atender ao novo código civil, quanto de fortalecer a associação como um
todo.
No entanto, visando preservar uma estrutura federativa anacrônica,
que apenas preserva o poder dos dirigentes de federadas, ainda que em sua
maior parte totalmente esvaziados de votos e, consequentemente de
legitimidade, você liderou com apoio do Mario Cabral, o desenho desta
estrutura jurídica, que de tão absurda como meio de representação da classe,
foi questionada pela própria justiça.
Assim, conduzir o colega Mario Cabral à presidência da AMHB é optar
pelo reforço a uma idéia que não atende, em meu ponto de vista, as
necessidade que nós médicos homeopatas de todo o Brasil temos, que é de
participar mais diretamente na construção do nosso futuro, o qual
certamente não pode continuar alienado das necessidades da população
brasileira.
Assim, o Prêmio Sérgio Arouca não uma distinção alienígena ou
desprovida de senso quando se trata de qualificar o candidato a presidência
da AMHB, muito pelo contrário, é uma avaliação feita com base em critérios e
não em opiniões. Uma avaliação acerca de uma capacidade de gerenciar
coletivos, capacidade de gerenciar interesses públicos, capacidade de
gerenciar e construir soluções que levam em conta a maioria dos envovidos.
Supor que a AMHB pode continuar sendo vista como uma associação que
aglutina médicos da clínica privada, que não precisam incluir-se na esfera
pública, que não precisam garantir a empregabilidade no setor público, é
empurrar a classe dos profissionais da homeopatia para um fim cada dia mais
próximo, pois só quem está alienado pode supor que os interesses dos
homeopatas não tem que ser os mesmos da maioria de todos os médicos do país.
O que precisamos para a associação, no meu ponto de vista, é de uma
presidência que tenha a visão da inclusão e que tenha a experiência em gerir
de forma participativa, que tenha sua história relacionada com levar em
conta a diversidade dos interesses e as necessidades da classe. Neste
particular o currículo dos candidatos, expresso nos fatos que cada um
construiu, não me deixa a menor dúvida sobre a escolha que devo fazer.
Hylton Luz
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